Mensagem do irmão Fernando Pires

Mensagem, do irmão Fernando Pires (em 6/12/2009)

 

Irmãos e irmãs a Comunhão de joelhos e na boca é adoração a Deus. Seguindo esta tradição, é claro, que adoptar gestos e atitudes do corpo e do espírito que facilitem o silêncio, o recolhimento, a humildade da aceitação da nossa pobreza diante da infinita grandeza e santidade Daquele que nos vem ao encontro sob as espécies Eucarísticas, torna-se coerente e indispensável.

Irmãos e irmãs, o melhor modo para exprimir o nosso sentimento de reverência para com o “Senhor Eucarístico” seria seguirmos o exemplo de Pedro que, como nos narra o Evangelho, se lançou de joelhos diante do Senhor e disse: “Senhor afasta-te de mim, porque sou um pecador” (Lc 5,8). Ora, nota-se que nalgumas Igrejas, a prática da comunhão de joelhos, se torna cada vez mais rara e os responsáveis não só impõem aos fiéis receber a Sagrada Eucaristia de pé, mas inclusive tiraram os genuflexórios obrigando os fiéis a permanecerem sentados ou em pé, até durante a elevação das Espécies Eucarísticas apresentadas para Adoração. É estranho, irmãos que tais procedimentos tenham sido adoptados em dioceses, pelos responsáveis da liturgia, e nas igrejas pelos párocos, sem a mínima consulta aos fiéis, se bem que hoje se fale mais do que nunca, em certos ambientes, de democracia na Igreja. É verdade, que hoje ainda se recebe na língua, se pode receber na mão, sendo ambos órgãos do corpo de igual dignidade. Alguns para justificar a prática de se receber nas mãos, referem-se às palavras de Jesus”: “Tomai e comei” (Mc14,22;Mt.26,26 ). Irmãos e irmãs quaisquer que sejam as razões para sustentar a prática da recepção nas mãos, não podemos ignorar o que acontece a nível mundial em todas os lugares onde é adoptada. Este gesto, contribui para um gradual e crescente enfraquecimento da atitude de reverência para com as Sagradas Espécies Eucarísticas. O costume anterior, ( a recepção na boca )  preservava melhor o sentido de reverência. Com a nova prática seguiu-se uma alarmante falta de recolhimento e um espírito de distracção geral. Actualmente, vêem-se irmãos que comungam e frequentemente voltam aos seus lugares como se nada de  extraordinário se tivesse dado. Em muitos casos, não se nota o sentido de seriedade e silêncio interior que deveria indicar a  presença de Deus na alma. O nosso Papa, fala da necessidade de não só se entender o verdadeiro e profundo significado da Eucaristia, como também de celebrá-la com dignidade e reverência. Diz que é necessário estarmos conscientes, dos gestos e posições, como, por exemplo, ajoelhar-se durante os momentos salientes da Oração Eucarística. Além disso tratando-se da recepção da Sagrada Comunhão, convidam-se todos a fazer o possível para que a recepção, na sua simplicidade, corresponda ao valor do encontro pessoal com o Senhor Jesus no Sacramento. Irmãos, creio que chegou a hora de avaliarmos a nova prática acima mencionada, reconsiderá-la e, se necessário, a abandonarmos e que de facto não foi indicada, pelo Sacrosanctun Concílium, nem pelos Padres Conciliares, mas foi aceite depois da sua introdução abusiva nalguns países. Hoje, mais do que nunca é necessário ajudar a renovar uma fé viva na presença real de Cristo sob as espécies Eucarísticas para reforçar assim a vida da Igreja e defendê-la no meio das perigosas distorções de fé que tal situação continua a criar. A comunhão na boca, de joelhos e das mãos do sacerdote é o Catecismo Romano que nos ensina: só aos sacerdotes foi dado o poder de consagrar a Sagrada Eucaristia, e de distribuí-la aos fiéis cristãos. Sempre foi praxe da igreja que o povo fiel recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes, e os sacerdotes comungassem por si próprios, ao celebrarem os Sagrados Mistérios. Assim, definiu o Santo Concílio de Trento, determinando que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa da sua  origem  apostólica,  e porque também Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu o exemplo, quando consagrou o Seu Corpo Santíssimo, e por Suas próprias mãos o distribuiu aos Apóstolos. De mais a mais, irmãos e irmãs, com o intuito de salvaguardar, sob todos os aspectos, a dignidade de tão Augusto Sacramento, não se deu unicamente aos sacerdotes o poder de administrá-lo, como também se proibiu, por uma lei da Igreja que salvo grave necessidade ninguém sem Ordens Sacras ousasse tomar nas mãos ou tocar vasos sagrados, panos de linho, e outros objectos necessários à confecção da Eucaristia. Destas determinações, podemos todos, os próprios sacerdotes e demais fiéis, inferir quão virtuosos e tementes a Deus devem ser aqueles que se dispõem a consagrar, a ministrar ou a receber a Sagrada Comunhão; devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a Sagrada Hóstia, com  a  boca  suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida. As irmãs devem estar com a cabeça coberta. Pertence ao sacerdote distribuir o Corpo de Cristo por três motivos:

  • Primeiro, porque é ele que consagra na pessoa de Cristo. Assim como Cristo consagrou o Seu Corpo na última Ceia, e o  distribuiu aos discípulos assim também só o sacerdote o distribuirá.
  • Segundo, porque o sacerdote se constitui intermediário entre Deus e o povo. Portanto como lhe pertence apresentar a Deus as oferendas ao povo, assim também lhe pertence distribuir ao povo os dons divinamente santificados.
  • Terceiro porque por respeito à Eucaristia, nada a deve tocar que não esteja consagrado. Por isso, consagram-se os corporais, os cálices, igualmente as mãos do sacerdote para tocarem este Sacramento. Não é lícito, pois, a ninguém mais tocá-lo, a não ser em caso de necessidade, por exemplo se cair no chão ou em outro caso semelhante. É assim irmãos que devemos respeitar  as Leis de Deus. O irmão em Cristo.
  • Fernando Pires.

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